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Os problemas do melhor pais do mundo Os problemas do melhor pais do mundo
by Monica Vasku
2012-08-11 10:44:04
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Os problemas do melhor país do mundo

Vocês sabiam que, em 2010, a Finlândia foi eleita como o melhor lugar do mundo para viver por uma pesquisa da revista americana Newsweek? Ouvi falar que depois dessa pesquisa tem muito finlandês andando de nariz empinado por aí, mas comigo a experiência tem sido diferente: sempre que essa pesquisa aparece em alguma conversa, o que vejo é finlandês dizendo não concordar muito não.

roland_a_400Eles argumentam que o país tem enfrentado desemprego, que é frio e escuro por uma boa parte do ano, que tem racismo, que muita gente bebe demais... Eu, deslumbrada que estou com o paraíso da social-democracia, fico cá com meus botões a pensar que tipo de críticas eles seriam capazes de tecer sobre o Brasil, por exemplo.

Ora, me deixe, mas estão mesmo reclamando do quê? Sabem lá o que é sair de casa e, para comecar o dia, dar de cara com uma crianca, uma mãe ou um velinho em trapos e passando fome? Esse problema e tantos outros que enfrentamos nesse nosso Brasil de tantos políticos desprezíveis e populacão apática, cá, eles realmente não têm. Mas é óbvio que eles enfrentam dificuldades, por mais que para mim seja difícil achar que elas atrapalhem a sensacão de bem estar social de que se desfruta por essas bandas.  Na verdade, pensando melhor, atrapalham sim, às vezes até assustam. Então vamos falar um pouco sobre esses problemas.

Alcoolismo

O primeiro é o que mais se destaca nas ruas é o alcoolismo. É mesmo difícil sair e não ser incomodado por um bebum xingando todos os palavrões finlandeses. E eles incomodam mesmo, parece que quando bebem se tornam extrovertidos, porque sóbrios são bem calados. Pois então, quando o álcool sobre pra cabeca eles ficam falantes até demais, e como falam alto! Velhos, jovens, um bando de bêbados causando problemas na cidade.

A polícia gasta boa parte do seu tempo resolvendo problemas provocados pelo álcool ou tentando prevení-los. Se um policial te encontra na rua e vê que você já está “alto” ele normalmente manda você jogar fora o que está bebendo. Se for menor de idade, vai pra delegacia até ficar sóbrio e depois é deixado em casa.

Bom, para combater o problema o governo eleva os impostos sobre bebidas alcoólicas e concentra praticamente toda a venda numa rede de lojas chamada "Alko", de propriedade do estado. Assim, ao que parece, o dinheiro gasto pelo alcoólatra é diretamente investido na sua própria recuperacão. Nos mercados normais se vende bebidas consideradas de baixo teor alcoólico, como cidras e cervejas, mas só até as 21 horas.

Pedintes

Quem pensa que na Finlândia não tem gente pedindo esmola nas ruas está enganado. Mas tem um detalhe: a maioria dos pedintes é normalmente de origem romena ou búlgara. Estas pessoas ficam espalhadas pelas ruas pedindo esmola, tocando sanfonas em troca de dinheiro ou recolhendo latinhas e garrafas.

Segundo reportagens divulgadas na mídia finlandesa, os pedintes normalmente se organizam em acampamentos, mas algumas famílias dormem em carros. Todos os dias os grupos são levados em vans para os grandes centros, onde recolhem doacões. No fim do dia todos se reúnem em um ponto onde a van passa para levá-los de volta ao acampamento.

Eles são bem organizados e sabem pedir dinheiro em várias línguas. Lembro de que, logo quando cheguei em Helsinki, uma dessas romenas veio me pedir uma ajuda. Eu não quis colaborar e dei a entender que não falava finlandês, então ela pediu em inglês e eu continuei com minha cara de besta e falei que era do Brasil. Não é que a danada me pediu em português!!!

O governo da Finlândia tem procurado uma solucão para o problema junto ao governo da Romênia e já recebeu o Ministro das Relacões Exteriores do país para viabilizar uma solucão, mas ao que parece até agora nada foi resolvido. Por enquanto a orientacão da polícia é não colaborar com os pedintes. Existe uma suspeita de que eles sejam explorados por grupos criminosos que visam abastecer suas organizacões com o dinheiro recolhido.

Solidão

Há uma teoria de que os finlandeses viveram por muito tempo distantes uns dos outros, em suas propriedades e acompanhados apenas de suas famílias. Essa seria a causa da dificuldade de socializacão que eles têm. Eu, para ser sincera - não sei se por sorte - tenho conhecido mais finlandeses extrovertidos do que os "caras fechadas". Claro que já fiquei "no ar" algumas vezes ao tentar cumprimentar alguém, mas comigo foram poucas vezes.

O fato é que muito se fala que aqui na Finlândia há muita gente morando só, principalmente os mais velhos, que muitas vezes são esquecidos pelos filhos. Isso eu já vi, no prédio em que eu morei quando cheguei aqui havia pelo menos dois idosos já em fase de precisar de ajuda, mas moravam sós e raramente recebiam uma visita. Uma coisa de dar dó. O resultado dessa situacão é um alto número de suicídios, inclusive destes velhinhos.

O caso fica mais sério no inverno, quando fica tudo muito escuro durante a maior parte do dia e é tão frio que falta coragem de sair de casa. Quem está nessa situacão de solidão entra numa pior, vem a depressão e, infelizmente, mais alguns números para a estatística.

Os próprios locais admitem este problema e, inclusive, comentam que esta cultura depressiva se reflete na própria música composta por aqui, em sua maioria de melodias e letras tristes, depressivas mesmo.

Racismo

Recentemente a secretária de um deputado estadual publicou em seu blog a idéia de que os imigrantes na Finlândia deveriam ser identificados com braceletes. Alguma inspiracão nazista, talvez, e bastante assustadora. A justificativa da criatura era de que o uso das faixas ajudaria o trabalho da polícia em identificar quem é e quem não é imigrante (???).

roland_400A mulher é secretária de um deputado do partido "Perussuomalaiset", um grupo reconhecidamente nacionalista e que não gosta dessa história de gente diferente por aqui. O pior é que o líder da trupe aloprada, Timo Soini, é popular por essas bandas. Ele concorreu à presidência nas últimas eleicões e ficou em quarto lugar, com cerca de 10% dos votos.

No início do ano dois imigrantes foram assassinados por um finlandês em um restaurante na cidade de Oulu. O rapaz se matou em seguida. Esses dias também circulou pela internet um vídeo onde um grupo de meninos, filhos de imigrantes, pareciam reagir contra um garoto finlandês que, em outra situacão, os havia perseguido e humilhado. Exemplos como este  motivaram uma querida amiga a tomar uma triste decisão. Ela é africana, de Gâmbia, e me contou que voltará para o seu país dentro de um ano, antes que seu filho precise entrar na escola, porque não quer que a crianca seja exposta ao preconceito. 

Ao meu ver os racistas e nacionalistas são minoria. A reacão ao delírio da secretária, por exemplo, foi imediata e virou caso de polícia. A populacão também se manifestou nas redes sociais condenando a atitude e questionando como o país com uma das melhores educacões do mundo pode formar pessoas com este tipo de mentalidade.

Na verdade, os finlandeses não estão em situacão de sustentar o racismo e a discriminacão. O sistema precisa dos imigrantes e de seus filhos para se manter. Como em outros países da Europa, aqui também a populacão idosa está cada vez maior, recebendo cada vez mais pensões, mas em contrapartida a populacão jovem, que paga os impostos, tem reduzido. Está aí um belo presente para os partidários do Perussuomalaiset: sua velhice será, ou já está sendo, sustentada por nós.

A língua

Taí um problema para quem deseja morar por aqui. A língua tem uma lógica um pouco difícil e uma estrutura gramatical que difere de todas as outras a que estamos acostumados. A língua finlandesa é considerada uma das mais difíceis do mundo.

Outro problema é que a maioria da populacão fala inglês. Daí, quem sabe falar inglês, cai na tentacão e em muitos casos não aprende a língua nativa, o que pode ser um problema na hora de arrumar um emprego. Por outro lado, quando você quer falar finlandês, muitas vezes os atendentes das lojas, por exemplo, ao perceberem que você é de fora, já falam inglês e não lhe dão a oportunidade de praticar.

Mas nada de desânimo! Não é impossível e cada caso é um caso. Eu, por exemplo, tenho aproximadamente um ano aqui e posso dizer que já me viro bem. Como tudo na vida, é uma questão de dedicacão e perseveranca e vale à pena se você quiser desfrutar de tudo o que este país tem a oferecer.

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Fotógrafo: Roland Helerand

 


    
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